Só mais cinco toneladas de linho.
Eu estava sonhando e percebi que estava sonhando. Estava num bar e aí ri do garçom que estava vindo falar comigo e falei pra ele estava perdendo tempo tentando falar comigo porque eu sabia que tudo não passava de um sonho. Ele ficou bravo e tentou me bater. Me esforcei pra acordar e aí estava na minha cama. Mas sem conseguir me mexer. Uma mulher passou, sentou na cama e sussurrou alguma coisa. Me esforcei muito, mas não consegui me virar pra ver quem era. Bastante barulho em casa. Pensei que ela provavelmente injetou alguma coisa que me fazia ficar imóvel para poder me roubar não-sei-o-quê. Depois de trinta segundos de tensão (e de achar que ficaria imóvel pra sempre), acordei de fato e só aí me dei conta que isso também era um sonho. Estava na mesma cama, mas aí consegui me mexer. Só ouvia o barulho da rua e não havia mulher alguma. Da próxima vez finjo que acredito que o primeiro sonho é real pra não passar pelo segundo, pesadelo.
Ser denota igualdade, que é uma relação de equivalência. Por definição, toda relação de equivalência é reflexiva, transitiva e simétrica. Assumindo que todos são Timóteo Pinto, temos por simetria que Timóteo Pinto é eu para todo eu em todos e, portanto, Timóteo Pinto é Chuan Lee Xiao. Pela hipótese, eu sou Timóteo Pinto. Acabamos de ver que Timóteo Pinto é Chuan Lee Xiao. Logo, pela propriedade transitiva, eu sou Chuan Lee Xiao. Como eu foi escolhido arbitrariamente entre todos, todos são Chuan Lee Xiao, q.e.d.
Mas quem é Chuan Lee Xiao? Ora, segue da propriedade reflexiva que Chuan Lee Xiao é Chuan Lee Xiao.
Eu tuitaria, mas se eu tentasse resumir em 140 caracteres diriam que sou doente. Então eu criei um blog aqui somente pra te convencer que água é uma droga. Sinto-me perdendo tempo, mas não importa mais. Não agora. Enumerarei meus argumentos e de antemão lamento [ou não] que esta redação possa ser interpretada como uma apologia às drogas. Porém, já escancaro [de cara] que não vou me preocupar com esta questão (e muito menos deixar de escrever), porque a mim é claro que a interpretação de um texto não é responsabilidade do autor, mas do leitor. Em suma, não fazer merda depois de ler esse texto é um problema exclusivamente teu.
Aproveitando a forma [que considero] franca como comecei, antes de mais nada penso que seja conveniente partirmos de definições precisas de droga e entorpecente. Eu escolhi usar estas, do Houaiss:
droga: qualquer produto alucinógeno (ácido lisérgico, heroína etc.) que leve à dependência química e, p.ext., qualquer substância ou produto tóxico (fumo, álcool etc.) de uso excessivo; entorpecente.
entorpecente: que ou o que age no sistema nervoso central, provocando estado de entorpecimento, de embriaguez, e que, mesmo tolerável em doses altas pelo organismo, freq. causa dependência e progressivos danos físicos e/ou psíquicos (diz-se de droga, medicamento ou outra substância); estupefaciente.
Se discordas dessas definições, leitor teimoso e irritante, não percas tu tempo lendo o resto de meu texto ou comentando pois meu blog é uma autocracia e não vou alterá-las; recomendo-te que escrevas uma carta endereçada ao Polipadre Timóteo Pinto (Rua Cinco, 23 — Omarlópolis, Maldoislândia — Planeta Éris) que ele adorará discutir contigo. Obrigado pela compreensão. Aos idiotas de mente fraca que aceitam tudo que falo, agora exponho os meus argumentos, em cinco partes:
É fato comprovado estatisticamente que quem ingere água tem alucinações. De fato, todos que já ingeriram água fantasiam um mundo nonsense cheio de pessoas malucas, acontecimentos estranhos e posts absurdos em blogs de reverendos inexistentes.
As alucinações são fortes a ponto das pessoas que ingerem água terem certeza que aquilo é realidade, e inventam mesmo sua própria existência, amigos, ciência, tecnologia. Nenhuma outra droga tem um efeito tão avassalador.
Todos que já beberam água o fazem diariamente durante toda sua pseudoexistência. Quando um tenta parar, tem intensa crise de abstinência e morre em poucos dias. O organismo pede mais água do que qualquer outra coisa, e esta água vai tomando o corpo da pessoa, que pensa que ela faz bem. Se discordas, para de usar e depois vem discutir.
As estatísticas mostram que o ser humano não foi feito pra beber água. Ela causa sérios danos ao organismo (tanto que todos que ingerem água morrem) e são conhecidos casos de pessoas que beberam água e contraíram todo tipo de doença já diagnosticada pela humanidade. Logo, é por definição um produto tóxico.
O uso excessivo já foi comentado no ponto anterior.
(Os outros dois argumentos serão omitidos para serem usados em futuras discussões, não por minha culpa, mas porque Éris ainda não me disse quais são e a minha glândula pineal não está funcionando muito bem porque tenho usado muita água.)
Reflitamos.
Quem não cheira cocaína odeia quem desperdiça sua vida cheirando cocaína pra perder o medo e se sentir mais forte.
Quem não fuma maconha odeia quem desperdiça sua vida fumando pra relaxar.
Quem não fuma odeia quem joga fora seus pulmões ao passar a vida fumando.
Quem não bebe bebidas alcoólicas odeia quem causa confusão porque precisa de álcool pra ter uma festa boa.
É fato conhecido que os piores seres da história da humanidade estiveram sob o efeito de água quando agiram das maneiras mais cruéis existentes. Alexandre O Grande, Napoleão, Adolf Hitler e Artur da Costa e Silva são alguns exemplos que mostram que a água causa danos muito piores à sociedade do que a cocaína.
Por isso, afirmo: meu caro, és um viciado como qualquer outro. E quem não toma água odeia tu, infeliz, que destróis o mundo porque dependes de alucinações causadas pela água para viver. Pensa nisso da próxima vez que usares drogas.